De Gregor Samsa à pedaços de mim (?)
junho 13, 2009
Acho que Gregor Samsa é a coisa que tenho mais gostado de ouvir, e foi ouvindo que decidi dar uma passeio pelos textos, poeminhas e escritos antiguinhos, isso resultou em um forte sentimento de traição, mas seria mentira se eu dissesse que sinto culpa, acho que eu costumo sentir muita culpa por conveniência, mas até que melhorei com isso. Mas o fato é que foi maravilhoso e os meus dedos quase se mecheram sozinhos, seja pra fazer remendos seja pra excluir. Não tenho problemas em excluir, mas sim em fazer remendos e um tipo especial de remendos: os feitos depois de muito tempo.
Eu não sei se me reconheço sempre que leio uma coisa que escrevi há tempos, esse questionamento surgiu enquanto lia, algumas vezes eu não me reconheci. Estou bastante confusa com essa questão de se reconhecer…por exemplo quando penso em mim criança, eu me sinto como alguém que foi criança, é a Ju, ela, quando era criança e não eu…Mas é verdade que são várias pessoas, né?
As vezes começo as coisas e não sinto vontade nenhuma de terminar, como aconteceu agora (haha).
São apenas coisas escritas(são pedaços de pedaços), talvez não tenham sentido, que eu vou mostrar porque consegui independencia delas e até gosto:
a verdade é que ninguém nunca lê
a alma não lê;
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Deixe de ser eu pra entrar em mim.
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Eu vejo nas nuvens
seios belos e alvos
de uma donzela desconhecida.
O esplendor que salta da nuvem
e atinge meu corpo
faz de minh’alma puro joguete do desejo.
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…Gosto de rolar como um abacate que cai no chão…
gosto de morder, gritar, emitir sons…Gosto dessa minha efusidade irritante
Eu quero sentar na calçada tagarelar e sorrir como quem é feliz, com as pernas soltas falando asneiras, e me sentindo um chuveiro que fala e é retardado…
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A comida estava passando fome
e pra matá-la:
me comeu!
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Mão
junho 8, 2009
Hoje, enquanto eu escrevia, não reconheci minha mão…Foi um tanto quanto estranho
“Dia de sol num copo d’água”
junho 2, 2009
“Hoje é terça feira
o céu borrou a cor”
~
“um dia de sol
num copo d’água”
Hoje tá muito frio, frio de você andar e seu nariz ficar vermelho…fazia tempo que não ficava frio bonito, assim…
Então hoje é dia de tomar leite quentinho enrrolado na coberta(não o leite, a gente), assistir filme, dormi gostoso e ouvi música meiguinha…
Tô começando a entrar no clima cinza azulado e tô achando que, jaja, vou ouvir Gregor Sansa!
Eu gosto muito da cor do céu assim, do nariz e orelhas gelados essa moleza gostosa. Essa atmosfera combina com música e se afogar no silêncio…
“O Melhor De Vinicius De Moraes”
junho 1, 2009
Ontem à noite comecei, e praticamente terminei; faltam só alguns pedacinhos, um livro cujo título é “O melhor de Vinicius de Moraes”, esse senhorzinho tão docinho, essa doçura que eu tenho acreditado que só os homens, e alguns apenas podem possuir. Acho que as mulheres costumam ser bonitinhas o que pode ser confundido, embora não tenho nada a ver com doçura.Tenho que dizer ainda que a forma como o Senhor Vinicius fala de amor é muito bonita(desculpem a “obviedade”(não sei se essa palavra existe), e também que um dos motivos pelos quais eu tenho inveja dos homens é a forma como eles amam, lendo Vinicius essa inveja se deu pois essa forma fica evidente.
Bom…O livro tem poemas e artigos e crônicas e eu tenho uma tendência a gostar de livros que misturam as coisas, mas esse não é um bom exemplo…então eu vou falar do livro do Alex Polari, que tinha partes de diário e partes de poema…Foi um livro que ficou impregnado em mim de uma forma…O Senhor Alex o escreveu na prisão na época da ditadura(ele era um preso político). Ele ficou preso durante nove anos, se não me engano…O filho dele nasceu quando ele estava preso e tem muitos poemas a respeito dele, um em especial me comove muito toda vez que eu lembro, mas infelizmente eu não lembro o nome, não tenho mais o livro e falar do poema assim seria uma coisa muito horrível…
Ahhh! o livro se chama“Camarim de Prisioneiro”
Mas então…como eu ia dizendo antes, Vinicius…
eu vou colocar alguns trechinhos aqui só pra vocês, minha infinidade de leitores, ficarem com muita vontade e talvez experimentarem um pouco do que eu experimentei…Lá vai:
“Mas percebi, de repente, que nada disso tem a menor importância diante da lua que está no céu.Preciso apagar a luz, ficar quieto vendo a lua.Sou um bom fã de cinema, mas muito maior da lua.Hoje ela está cheia e ausente, imparticipante.Me perderei de tudo, olhando a lua.”
“Deixai-os se beijarem à vontade, porque o que em seus beijos irrita os burgueses moralizantes é justamente essa liberdade, essa beleza, essa poesia, esse voo que há num beijo de amor.”
O Mosquito
O mundo é tão esquisito:
Tem mosquito.
Por que, mosquito, por que
Eu . . . e você?
Você é o inseto
Mais indiscreto
Da Criação
Tocando fino
Seu violino
Na escuridão.
Tudo de mau
Você reúne
Mosquito pau
Que morde e zune.
Você gostaria
De passar o dia
Numa serraria —
Gostaria?
Pois você parece uma serraria!
Bom é isso!