julho 7, 2009

Acordei e a senti:  respirava quente no meu rosto. Parecendo ter consciência do meu acordar foi se aconchegando, sem meu corpo, na cama, estava como que passando de um sono cujo estágio era tão pesado como “uma bota prensando um rosto”, mas o tinha tão doce que não posso fazer tal comparação: que evoca tanto terror; para um estágio mais sono-acordado.

O sol já batia quente para se dormir e ela acordou e veio vindo até mim. Estava nua. Era tão bonita, tão pequena e frágil e doce. Eu a desejava tanto, desejava sentir cada parte do seu pequeno corpo nas minhas mãos, desejava encostar-me nela e somente sentí-la, (eu é que a pedia para dormir nua) e olhá-la e ouví-la cantar uma cançãozinha de moça; ela apenas aceitava. Era tão frágil. Quando sofria apenas se aconchegava em mim, fechava os olhos espertos e eu me trnava seu barquinho que vagava sozinho num mar também sozinho. Segurava minha mão como as crianças seguram as imaginárias quando não podem chamar os pais (eles não entendem) e então  dormem agarrados àquela mão morta. Em momentos assim não dizia, se fazia silenciosa como uma folha.

Ela andava perdida e enlouquecidano quarto quando cheguei ontem, ela sofria de modo a machucar meus olhos, os dela de azuis que tem a calma do céu estavam contornados de vermelho-tempestade. Urrava, se contorcia e chorava gritando. Tendo ela, naquele instante a agressividade dos que são frágeis e estão cheios de medo, me empurrou e olhou-me cheia de uma dor enrraivecida que era ácido. Seu corpo parecia não aguentar, na sua fragilidade, aquilo; ela se deixou cair na cama e chorou por muito tempo encolhida, meio estirada, meio morta e chegou àquele ponto dos que já não suportam e domiu silenciosa. A despi com o cuidado que se tem com uma flor que não se quer despedaçar, a puxei para mim aconchegando-a e, então, fui seu barquinho.

Bom, quando escrevi isso tinha muito claramente na minha cabeça que o narrador era um homem, eu o via como homem e ele era um homem, mas em algum momento tive uma leve impressão de que não poderia ser um homem. Motrei pru Gui o texto  e ele me disse que achava que era uma mulher, então eu tinha que mostrar pra outra pessoa, que foi a Paty, que disse o mesmo. Depois de ler o texto ficou muito claro que era uma mulher mesmo. Mas enquanto escrevia tinha aquela sensação de que era muito importante que ele fosse homem..eu fiquei meio estranha, mas gosto muito do texto. Eu me questionei por um tempo se deveria tentar trasnformá-la num homem, mas isso comprometeria muita coisa e agora eu gosto muito que  seja uma mulher.

PS:Ainda não consegui dar um nome!Mas vou trabalhar nisso 😉

Agradecimento especial para Gui e Paty!

abril 21, 2009

Dispersão de mim.
eu corro até o infinito
onde bate forte o vento
e no fundo de algum poço de mim
toca a música
que como um circulo,
infinita,
mesmo aqui
soa longe de mim

quanto mais perto
maior a distancia se descobre

Multiplicidade

abril 5, 2009

Me torno um delírio

que não é um meu,

é de outro

que é outros


Estranhas imagens

Multiplas

uma que é muitas.

março 16, 2009

Labirintos circulares

de coloridas cores

indo

vindo

no vem vai

dos seus próprios caminhos

que em si já são infinitos

E meu corpo,

sem casa,

num infinito descompasso circular

e para cujos passos:

saída não há.

– Devorada:

fevereiro 15, 2009

Ele vem chegando de mansinho

se esqueirando pelas paredes

-Não posso reagir!

sinto o bafo dele no meu rosto

a respiração no meu pescoço.

Ele me envolve inteira

uma boca se abre no seu estômago:

sou devorada por inteiro.

fevereiro 7, 2009

Lá longe..lá estava
corpo dormente
luzes desfiguradas longe do próprio longe
o vento entrando em mim
que a rodar sorria
e sorria só como quem sorri
mormaço:
deitei no asfalto
me tostei
me senti um bife!
meus olhos no céu
as nuvens olhando pra mim
de maneira devoradora,
cada vez mais perto
me invadindo.
Havia uma enchente dentro de mim
meu corpo quase rompendo:
Morri afogada, acho, talvez…!

Vento…

janeiro 24, 2009

ir na direção do vento

que leva,

tirando bruscamente de mim,

o que tem que levar.

E eu,

que qria ser levada,

seja pela brisa quente

pela ventania

pelo vento todo gelado

fico esperando ele me levar

e ir me levando no ritmo que vai seu coração!

Pro vento,

que venta  com a mesma intensidade nos cabelos

de uma donzela bonita

quanto numa pedra!..